"E é por guardarem assim as horas do passado que os corpos humanos podem fazer tanto mal a quem os ama, por conservarem recordações, prazeres e desejos, já para eles extintos, mas cruéis para quem contempla e prolonga na ordem do tempo a carne amada, da qual, no desvario do ciúme, chega a desejar a destruição. Porque após a morte o Tempo se retira do cadáver, e as lembranças - tão insignificantes, tão esmaecidas -, assim como se apagaram na morta, breve se retirarão daquele que ainda torturam, perecendo quando não mais as entretiver o desejo do corpo vivo."
Proust, O Tempo Redescoberto
domingo, 7 de novembro de 2010
sábado, 12 de junho de 2010
12 de junho
"Castrado de alma e sem saber fixar-me,
Tarde a tarde na minha dor me afundo...
Serei um emigrado doutro mundo
Que nem na minha dor posso encontrar-me?..."
Mário Sá Carneiro, Como eu não possuo
Tarde a tarde na minha dor me afundo...
Serei um emigrado doutro mundo
Que nem na minha dor posso encontrar-me?..."
Mário Sá Carneiro, Como eu não possuo
sexta-feira, 14 de maio de 2010
14 de maio
A cigana
A cigana sabia de antemão
Nossas duas vidas presas pelas noites
Lhe dissemos adeus e então
Deste poço saiu a esperança
O amor pesado como um urso
Dançou de pé quando quisemos
O pássaro azul perdeu suas penas
E os mendigos suas novenas
A gente bem sabe que se dana
Mas a esperança de amar na caminhada
Nos faz pensar de mão dada
No que previu a cigana
Apollinaire (trad. Daniel Fresnot)
A cigana sabia de antemão
Nossas duas vidas presas pelas noites
Lhe dissemos adeus e então
Deste poço saiu a esperança
O amor pesado como um urso
Dançou de pé quando quisemos
O pássaro azul perdeu suas penas
E os mendigos suas novenas
A gente bem sabe que se dana
Mas a esperança de amar na caminhada
Nos faz pensar de mão dada
No que previu a cigana
Apollinaire (trad. Daniel Fresnot)
sexta-feira, 16 de abril de 2010
16 de abril
"Duas das mais resplandecentes estrelas de todo o céu, tendo alguma ocupação, suplicaram aos olhos dela que brilhassem em suas esferas até que elas voltassem. Que aconteceria se os olhos dela estivessem no firmamento e as estrelas na cabeça? O fulgor de suas faces envergonharia aquelas esrelas, como a luz do dia a de uma lâmpada! Seus olhos lançariam da abóbada celeste raios tão claros através da região etérea que cantariam as aves acreditando chegada a aurora!"
Shakespeare, Romeu e Julieta
Shakespeare, Romeu e Julieta
quarta-feira, 17 de março de 2010
17 de março
Hier, la nuit d'été que nous prêtait ses voiles,
Était digne de toi, tant elle avait d'étoiles!
V. Hugo
(Ontem, a noite de verão nos cobria com seu véu.
Ela era digna de ti, com mil estrelas no céu!)
Était digne de toi, tant elle avait d'étoiles!
V. Hugo
(Ontem, a noite de verão nos cobria com seu véu.
Ela era digna de ti, com mil estrelas no céu!)
segunda-feira, 1 de março de 2010
1º de março
"Já sei que sois um Tântalo da cultura, porque vos preocupais tanto com a altura dela que não podeis alcançá-la em profundidade"
Cervantes, Licenciado Vidrieira
Cervantes, Licenciado Vidrieira
quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010
10 de fevereiro
"à medida que a imaginação vai desenhando os contornos de coisas não conhecidas, a pena do poeta vai lhes dando formas, e coloca um nada etéreo em uma habitação local e inventa-lhe um nome."
Shakespeare, Sonho de uma noite de verão
Shakespeare, Sonho de uma noite de verão
segunda-feira, 25 de janeiro de 2010
25 de janeiro
"Um homem de quarenta e cinco anos pode julgar-se ainda novo até o momento em que descobre que tem filhos em idade de amar."
Lampedusa, O Leopardo
Lampedusa, O Leopardo
domingo, 17 de janeiro de 2010
17 de janeiro
"Então vieram os suspiros, mais profundos porque reprimidos,
e os olhares furtivos, mais doces porque roubados,
e os ardentes rubores, embora não causados por nenhuma transgressão."
Byron, Don Juan
Encontrei em O vermelho e o negro, de Stendhal. Epígrafe do capítulo VIII.
e os olhares furtivos, mais doces porque roubados,
e os ardentes rubores, embora não causados por nenhuma transgressão."
Byron, Don Juan
Encontrei em O vermelho e o negro, de Stendhal. Epígrafe do capítulo VIII.
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